terça-feira, 14 de outubro de 2008

Associação antipirataria trava guerra contra comunidade de 755 mil no Orkut - Folha Online

"porque cê mata uma / e vem outra em meu lugar" - Raul Seixas

DIÓGENES MUNIZ

editor de Informática da Folha Online

Uma guerra silenciosa, travada nos bastidores da principal rede social do país, preocupa internautas que baixam música pela internet. O Orkut, braço do Google que neste ano passou a ser chefiado por uma equipe brasileira, começou a deletar pedaços da sua maior comunidade dedicada a compartilhamento de arquivos MP3, a "Discografias".

O endereço existe desde 2005, conta com três administradores anônimos (Madruga, Cris e Chris) e abriga 755 mil participantes cadastrados --o número de pessoas que a utiliza efetivamente é bem maior, já que para acessar seu fórum não é preciso de inscrever. Ali, internautas compartilham links com álbuns musicais inteiros sem pagar nada. A organização e o volume de material fez com que o endereço se tornasse uma central para quem procura esse tipo de conteúdo na rede brasileira.

"É o nosso principal cliente. Em se tratando de música, ninguém tem mais arquivos que violam direitos autorais do que a 'Discografias'", diz Edner Bastos, coordenador antipirataria da APCM (Associação Antipirataria Cinema e Música), entidade que defende a propriedade intelectual.

Os moderadores da "Discografias", que passam mais de cinco horas por dia trabalhando no fórum, impõem regras rígidas, inclusive banindo usuários mais insistentes. As proporções levaram à criação de comunidades satélite, que servem de apoio para a principal. Na "Discografia - Pedidos", por exemplo, os usuários podem dizer o que querem baixar. Isso ajuda a não abarrotar o índice da comunidade "mãe" --onde entram apenas tópicos os com o caminho do download.


Hidra

No primeiro semestre deste ano, a APCM tirou do ar 118.750 links de filmes e músicas, 22.113 blogs e 20.332 arquivos P2P ("peer-to-peer", referentes a programas de compartilhamento como eMule) da internet. Seu principal rival, no entanto, continua de pé.

"Estamos com várias discussões com o Google, em alguns pontos eles nos ajudam", afirma Bastos. "Temos um trabalho para tirar [a comunidade "Discografias"] do ar, mas ela é muito complexa. É preciso pegar tópico por tópico para provar que todo aquele conteúdo é ilegal."

A exclusão de algumas páginas dentro da comunidade já foi sentida pelos internautas. Em uma nota divulgada na quinta-feira passada, os moderadores da "Discografias" afirmaram que "tópicos continuam a sumir e não são devolvidos. Depois que a administração do Orkut passou para o Brasil, a coisa tem piorado muito".

"Tiramos [o tópico] quando está constatado algum tipo de violação num link específico", afirma Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google no país. Nestes casos, o Google considera primeiramente a "liberdade de expressão", diz ele. "A comunidade é legítima, porque há discussão de música também. Além disso, você sabe, a gente deleta uma, eles criam outra."

A Folha Online entrou em contato com a moderação da comunidade. Sem se identificar, aceitaram responder à reportagem sobre seu trabalho na rede social.

"Muitas bandas, hoje, tanto no Brasil quanto no exterior, assumem que não fariam sucesso se não fosse a internet. Até o Presidente da República deu uma declaração favorável na semana passada sobre 'baixar músicas da internet'. Ilegal e pirataria, na nossa opinião, é a venda de CDs piratas", afirmam.

Segundo eles, o trabalho na Discografias é um "ótimo hobby". Mesmo sob pressão, não cogitam fazer um blog ou outro tipo de fórum --só se o Google fechá-los de vez.

"É certo que muita gente só está no Orkut pelas poucas comunidades úteis e bem organizadas que sobraram, tais como a 'Discografias' e algumas outras. Com o seu fim, pensamos que o movimento no Orkut cairia consideravelmente", apostam.

8 comentários:

Marcus Vinícius Brasil disse...

Olá, meu nome é Marcus Brasil e sou repórter do caderno Link, do Estadão. Estou escrevendo uma reportagem grande sobre mercado fonográfico e gostaria de bater um papo com vocês sobre a experiência do Som Barato, como vocês consomem música, etc.

Estou no email marcus.brasil@grupoestado.com.br

Aguardo contato!

Marcus

Eduardo Macedo disse...

Amigos, sobre censura cibernética, ela existe de fato e parece estar bem capitaneada pelo Google. Teoria da consipiração à parte, tiraram do ar também o Forró em Vinil, que antes era hospedado no blogspot - felizmente "reabriram" com domínio próprio. Outro recente estapafúrdio da repressão digital foi cometido contra a revista Caros Amigos, que, ao tentar cadastrar junto ao Google a chamada "tortura" de forma vinculada à sua edição de setembro, que trata do assunto, recebeu a censura de "conteúdo inadequado" pelos administradores do motor de busca. E aí?

Revolução do Um disse...

a mesma conversa.. os vermes ganham dinehiro com a criatividade através de normas exdrúxulas imposta por eles mesmos para ganharem o máximo possivel e falam de "direitos autorais" quando deviam falar "direitos monetários"

antes da internet eu comprava cds e vinis usados, comercializados em sebos... seria crime e pirataria renegociar lá tbm? será que tbm fecharão sebos que negociam pelo preço que querem e sem aval das "editoras"?

é uma realidade poderosa a internet, é impossível bloquear a interatividade que na web 2.0 se tornou ainda mais indispensável... é uma luta perdida, pra eles...

Sabrina do Fogo Encantado disse...

Será que a comunidade de som barato no orkut não poderia abrigar aqueles links que tinham no blog?

Fabrício Persan disse...

RidículOs !! Extremamanete RidículOs !!
Ditadura no espaço cibernético !!
Como Lula disse e eu assino. alguem vai chiar !! Aliás.... esses ridículos aguardem para toda uma multidão chiar em conjunto, em defesa da cultura, que deve chegar a todos, sem exceção.

Márcio Proença disse...

É com o encerramento dos serviços dos SOMBARATO, que surge o SOMBARATINHO http://sombaratinho.blogspot.com, um espaço onde não só o download é maior atrativo, mas também a informação sobre gêneros e movimentos musicais brasileiros, biografias de importantes compositores, cantores, grupos musicais e instrumentistas que contribuíram e que contribuem com a formação da nossa cultura musical no Brasil.

Joana disse...

O fechamento do sombarato só comprova que nós brasileiros temos que tomar alguma atitude.
Divulgar essa arbitrariedade ridícula é um começo. Eu,como usuária do site, não me sinto lesada somente por não poder mais usufruir do incrível acervo de músicas de qualidade que o sombarato possuía; me sinto sufocada, amputada da minha curiosidade, da minha vontade e da minha liberdade de expressão.
Vamos continuar com esse enxame porque o mata-moscas deles não é do tamanho do Brasil!

Prof. Elson disse...

Acredito que a cultura deva ser levada á todos os pontos, e para isso a internet é o maior veículo.
Cds na internet são ótima divulgação para os artistas e a melhor opção pra quem não pode comprar, como quem mora no interior onde é difícil encontrar discos menos famosos e populares.